O relógio de parede do meu avô e o relógio de parede da avó da Débora.
As duas cadeiras (ou cadeirões, como lhes chama a minha mãe) muito antigas que pertenciam à casa do meu avô.
A mesinha de apoio que nos idos anos 50 viveu em Angola, noutro continente, noutra cultura e quantas histórias transporta ela?
O serviço de chá que foi a primeira peça de enxoval da avó da Débora.
O roupeiro e a toalha de renda que nos foram dados por uma senhora amiga da família.
A moldura que foi encontrada em casa da tia da Débora e que já partilhámos aqui.
São peças que farão parte do nosso cantinho e que oportunamente terão o seu destaque aqui no cantinho virtual. São peças que têm em comum o facto de reunirem em si mesmas funções decorativas e funções recordativas (o Priberam diz que só existe a palavra recordadoras, mas recordativas soa-me bem melhor!).
Recordar é viver, dizia alguém. Recordar não é viver, digo eu, mas contribui para viver bem. Para chegarmos onde sonhamos chegar é importante reconhecermos de que forma chegámos até onde estamos hoje. Vou gostar de viver numa casa com elementos que me levem a percorrer os trilhos da memória, lembrando-me de familiares e histórias antigas, histórias que não vivi e que só conheço por conversa, mas que fazem parte da minha origem. Vou gostar de viver numa casa em que o passado tenha peso e os objectos tragam à nossa memória os familiares e amigos que ajudaram a transformar o menino David e a menina Débora em dois adultos responsáveis (?) e também os que ajudaram a transformar uma casa inabitável num lar bonito e confortável.
Viver o presente, projectando o futuro, levando em consideração a herança do passado: este parece-me um bom lema de vida e vou gostar que a minha casa também o adopte. (Débora, neste blogue segue-se o acordo ortográfico?)

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